sexta-feira, 23 de março de 2012

As dores de Maria

"Tão grande foi a dor da Ssma. Virgem, que,
distribuída por todos os homens,
ela bastaria para fazê-los morrer a todos,
na mesma hora".
(São Bernardino de Sena)


1- O fundamento destas dores
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1- O FUNDAMENTO DESTAS DORES


A maior prova de amor que podemos dar àqueles que amamos disse Nosso Senhor, é dar a vida por eles. Maria devia dar esta prova de amor para conosco, senão morrendo, ao menos sofrendo torturas capazes de dar mil vezes a morte.

Associada à obra redentora, Ela devia suportar o Seu peso e ter Seu Calvário, como Jesus tivera o Seu.

De fato, a obra da redenção é, antes de tudo, uma obra de expiação e de sacrifício, e poderíamos dizer: "uma obra de sangue". Pois, observa São Paulo. "sine sanguine non fit remissio", sem efusão de sangue não há perdão.

Além disso, tudo, neste drama, parece girar em torno de dois eixos: o amor e o sangue.

O amor irradia por toda parte, com uma intensidade toda divina e tudo se desenrola no seio de uma nuvem sombria e sangrenta, sem jamais poder sair dela. Jesus Redentor segue primeiro o caminho do sacrifício e da imolação. Desde o primeiro instante até ao último, o sofrimento em Sua vida é o elemento que domina todo o resto. Ele o acompanha a Belém, a Nazaré, ao Egito. E no decorrer do Seu ministério público, vemo-lO como semeado sobre todos os caminhos da Judéia, da Galiléia, da Samaria. E, em Jerusalém, teve o Seu apogeu, e no Calvário a Sua última coroação.

Todos aqueles que colaboraram na obra de Jesus, foram submetidos também ao sofrimento, na medida em que tiveram de auxiliar o Redentor e que quiseram ser-Lhe úteis.

Ora, dizem os santos padres, estava marcado nos desígnios de Deus que assim como um homem e uma mulher haviam perdido o gênero humano, também um outro homem e uma outra mulher deveriam reerguê-lo: o homem como redentor e a mulher como co-redentora.

Deste modo Maria Se encontra associada à grande restauração, em um grau de intimidade, que jamais criatura alguma possui. Mas, o mesmo decreto divino que A proclama "Mãe de Deus", proclamou-A também "Rainha das dores". Associada como era à grande obra de Seu Filho, Ela sofreu a conseqüência necessária, que foi a Sua participação nos sofrimentos de Jesus. A Sua qualidade de Mãe valeu o privilégio de aí entrar muito antes que todos os outros, e Ela devia ir assim até o último extremo que uma criatura possa atingir no sofrimento.

Tal foi o fundamento das dores de Maria. Aqueles que realizam juntos uma obra, devem ter em comum as Suas obrigações, como devem participar também dos seus benefícios. Maria estará na glória, quando tudo estiver realizado; mas, antes, Ela deve estar no sofrimento.

Por conseguinte, Maria teve que sofrer como Mãe do Verbo encarnado, porque, por este título, Ela deveria estar submetida à lei da redenção, que é uma lei de sofrimento. Ela tinha que ser associada à paixão, não como um instrumento insensível, mas para que os Seus sofrimentos se ajuntassem aos sofrimentos de Nosso Senhor, para a redenção dos homens.

Ora, a esta razão geral vêm juntar-se outros pontos de vista, que mostram quão conveniente era ser Maria a Mãe das dores. De fato, Deus devia fazer resultar, das dores de Maria, uma grande glória, pois Ele manifestava magnificamente, neste mistério, os Seus principais atributos.
(P.S.M. Ledoux: A mais aflita das mães)

Nada era mais capaz de pôr em relevo o poder de Deus do que o concurso eficaz que daria ao reerguimento de todo o homem sobrenatural, uma criatura que, na aparência, não tem de notável senão a sua fraqueza e impotência.

A sabedoria divina não se mostra aí menos admirável.

Ao lado do Homem novo que sofre para reparar os prazeres culpados do primeiro homem, felizes somos em saudar esta Virgem humilde, forte, imaculada, que sofre igualmente, que apaga a lembrança desoladora da Eva orgulhosa, a antiga vítima de Satanás.

Enfim, a caridade de Deus brilha aí com todo o seu esplendor. Ele nos dá, não só um pai, mas uma mãe, um amigo, um Salvador, que pelos Seus inexprimíveis sofrimentos, nos merece a felicidade eterna; mas também Ele nos dá uma Mãe que é tanto mais Mãe, quanto mais teve que sofrer para o ser e para nos adotar.

Não é ainda tudo.

Suponhamos um instante que Maria tivesse sido isenta destas dores; o Seu reconhecimento para com Deus não teria exigido, por assim dizer, que Ela os pedisse? Aliás, não tinha Ela recebido de Deus a Sua Conceição imaculada e a Sua maternidade divina, tão grande em si mesmas e fontes de tantos outros privilégios?

Portanto, as Suas dores extremas e os Seus martírios eram, evidentemente, a única moeda que Lhe permitia pagar a Sua dívida, segundo os atrativos do Seu coração.

Maria era Mãe perfeita de um Filho perfeito. Ela não podia, pois, repudiar esta lei do amor, a glória e a grandeza de todas as mães, que lhes impõe a participação nos sofrimentos de seus filhos, como também ao gozo das suas alegrias, inseparáveis deles em tudo, por toda parte e sempre.

Também, em virtude deste princípio tão verdadeiro e tão nobre, Maria devia sofrer com Jesus e como Jesus. Além disso, Maria, que Se tornara a Mãe da cabeça, tornava-Se também a Mãe dos membros da universalidade dos humanos. Mas podia Ela aceitar este título, todo de amor, sem provar pelas Suas grandes dores, que, de fato, Ela vinha imediatamente após o Seu filho, pelo amor que tinha a todos os homens, Seus filhos?...

Depois, Maria devia ser também nossa Mãe. E era preciso que nós pudéssemos ir a Ela, não só com confiança, mas também com diligência. E assim era preciso que A víssemos puríssima, verdadeiramente poderosa e soberanamente boa.

Não era bastante.

O mais poderoso atrativo para nós, neste vale de lágrimas, devia ser o vermos que Ela também havia chorado, que havia tido uma vida saturada de toda espécie de aflições, e o coração transpassado por mil gládios. Esta auréola, qual diadema que A estabelecia Rainha dos mártires e Mãe das dores, era como o motivo que determinaria sempre, de um modo triunfante, todos os corações, mesmo os mais endurecidos e os mais desconfiados, a irem lançar-se aos Seus pés, e a depositar nEla toda esperança, no meio das maiores provações e das mais profundas misérias.

Vemos, por todas estas razões, quanto as dores de Maria se harmonizam como a glória de Deus, com a própria honra de Maria e com o bem dos homens.

Que motivo de amar a esta terna Virgem!

Triturada pelas nossas iniquidades como o Seu divino Filho, saturada de amarguras e de angústias, demos-Lhe a consolação de verificar que ao menos não é em vão que Ela sofreu por nós, e, sobretudo, que nós A amamos e que a nenhuma outra amamos senão A ela, depois de Jesus.

E que amor, aliás, será bastante forte para contrabalançar tantas dores sofridas por amor?...

(Por que amo Maria, pelo Pe. Júlio Maria)

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